segunda-feira, 18 de julho de 2011

para se pensar e agir

Estava "jogando conversa fora" com um amigo, quando ele me fez uma pergunta muito interessante: "Navarro, como discutir riqueza sem pensar em ganhar muito dinheiro?". A ideia era discutir riqueza abordando a necessidade de ganhar cada vez mais (salários mais altos, por exemplo), visão comumente popularizada por muitas pessoas.

Não raro, escuto alguns colegas repetindo o famoso mantra de que "é fácil ficar rico quando se tem muito dinheiro". Será mesmo? Meu caminho de independência financeira passou muito mais pelo quanto fui capaz de economizar e investir que pelo montante recebido de salário ou pró-labore. Eu sempre preferi saber muito bem como gastar, poupar e investir sem depender do dinheiro dos outros (endividamento ou aumentos, dissídios etc.).

Aumentar minhas receitas foi parte do processo, mas o foco essencial estava em definir e respeitar um padrão de vida confortável, mas possível – que me permitisse investir e garantir também outros objetivos. Neste sentido, a disciplina, a frugalidade e a frustração tiveram papéis muito mais importantes que a dependência em relação ao quanto ganhava ou iria ganhar.

A disciplina cria e mantém uma atmosfera de compromisso com meu principal objetivo: liberdade. Consumir sem necessidade ou exagerar nas compras eram atos que entravam em conflito com essa meta, o que era suficiente para me impedir de ir adiante e me tornar uma pessoa consumista. Em 10 anos atingi minha independência financeira e hoje sou livre para muitas coisas, inclusive consumir.

A frugalidade, que já abordei também neste espaço, servia como modelo para meu padrão de vida. Nunca abri mão de meus desejos, mas decidi que os realizaria de acordo com as possibilidades, colocando-os no tempo (curto, médio e longo prazo). Ser frugal é ser sóbrio, moderado, ou seja, é usar o bom senso. O sovina só economiza, o frugal economiza porque quer realizar um sonho – e o faz quando finalmente alcança essa possibilidade.

A frustração representa a realidade do cotidiano. Decidi aceitar que não dava para ter tudo aquilo que desejava no exato momento em que o desejo aparecia. Como muito bem pontua Márcia Tolloti em seu ótimo livro "As Armadilhas do Consumo" (Ed. Campus), quando nosso cada vez maior desejo de satisfação se junta à incapacidade de lidar com a frustração, o resultado é a compra com o dinheiro dos outros. Traduzindo: você compra porque não sabe esperar e se planejar e, como não tem dinheiro, usa o crédito. Endividamento, conhece?

Logo, respondi ao meu amigo, riqueza não tem tanto a ver com o quanto você ganha. Tem a ver com como você enxerga a riqueza (para mim, liberdade e independência são coisas de que não abro mão) e o que você faz, hoje, para alcançá-la. Se você tem objetivos fortes e é capaz de abrir mão do consumo por eles, provavelmente irá alcançá-los. Se não é, ou seus sonhos são fracos demais ou suas desculpas/justificativas são fortes demais.

Para concluir, pense nas pessoas que você conhece: alguns ganham salários relativamente baixos, mas tem patrimônio, legado (imóveis, empreendimentos, padrão de vida confortável, família estruturada, liberdade, possibilidades); outros têm salários altos, mas tudo que fazem é ostentar carros de luxo, roupas de grife e uma "agenda corporativa" digna de pena. A diferença? A tênue linha entre ser feliz e parecer feliz. Mas ai dirão que dinheiro não se mistura com felicidade e outras baboseiras… Tire suas conclusões…

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